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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

492 ANOS DEPOIS: A REFORMA AINDA FALA?



I FÓRUM TEOLÓGICO

A REFORMA AINDA FALA?

Prof° César Moisés

A RELAÇÃO ENTRE REFORMA E PENTECOSTALISMO


Proposições
1 – Dentro de uma perspectiva contemporânea, qual seria a real leitura dos aspectos da Reforma (sola fide; sola Christus; sola gratia; soli Deo gloria; sola Scriptura) que ainda hoje podem causar algum tipo de impacto na atual conjuntura religiosa?


À guisa de uma despretensiosa resposta às proposições deste fórum teológico, em uma perspectiva pentecostal, pretendo lembrar que o “movimento conhecido de modo um tanto vago como ‘Reforma’ surgiu de uma determinada matriz complexa e heterogênea de fatores sociais e ideológicos, sendo que estes últimos se encontram associados a personalidades individuais, movimentos intelectuais, escolas de pensamento e universidades, de tal modo que desafiam as generalizações crassas que constituem um número excessivo de interpretações desse fenômeno”.[1] Em outras palavras, já de início, é preciso ter muito claro o fato de que qualquer concepção generalizante e homogênea de tal acontecimento constitui-se em um grave equívoco — tanto histórico quanto epistemológico. A fim de entendê-lo melhor, é preciso considerar a série de movimentos reformadores que, de comum, só possuíam o propósito de que a inquestionável autoridade papal acabasse. Isso significa que os focos reformistas tinham motivações as mais distintas possíveis. Assim, a “imposição da conformidade intelectual”, que reinava soberana e unilateralmente através do autoritarismo clerical, com o advento da imprensa (leia-se, da popularização da informação), proporcionou a proliferação das ideias e, por conseguinte, a multiplicação de novas reflexões e percepções. A própria noção de que a “localização geográfica de um pensador era de grande importância com relação aos recursos intelectuais disponíveis e às suas opções teológicas e também com referência à facilidade com que qualquer programa de reforma podia ser colocado em prática”[2], oferece pistas importantíssimas para o entendimento de que as teologias reformadoras de Wittemberg e Zurique, por exemplo, surgiram em ambientes bastantes distintos, pois “a primeira foi, inicialmente, um movimento reformador acadêmico e a última, um movimento social e eclesiástico”.[3] Dessa forma, a própria distinção entre o que se convencionou chamar de “Reforma oficial” (do clero) e “Reforma radical” (do povo, representada pelos anabatistas), isso para mencionar apenas duas, já são focos de questões circunstanciais que provocaram o primeiro Grande Cisma (a ruptura entre a Igreja Oriental e a Ocidental), e acaloraram os debates dos Concílios. É importante refletir que, no âmbito eclesiástico, essas primeiras discussões que acabaram deflagrando os sinais do movimento reformista, foram exatamente de matriz hermenêutica, pois na esteira da “interpretação” é que se encontravam as justificativas para a prática e exercício dos piores abusos que se possa imaginar e, lamentavelmente, com um suposto respaldo escriturístico. Na realidade, esse tipo de abuso passou a existir desde quando elegeu-se uma classe privilegiada para o exercício exegético. Historicamente, sabe-se que saqueando a população do letramento, já tem-se 80% da manobra garantida. Privando o laicato letrado do direito ao livre exame, completa-se a totalidade do domínio.


É sob este prisma que a Reforma deve ser analisada. O espectro dominador, que sob a falsa acusação de heresia vitimou a humanidade por longos dez séculos, precisa sempre ser lembrado para que o cristianismo não se esqueça o quão horroroso foi ver a mensagem que liberta transmutada em discurso aprisionador. Após relembrar a Reforma como fato histórico, situado no tempo e no espaço, é preciso avançar a discussão e entender o conceito de Ecclesia reformata et semper reformanda est (“A igreja reformada está sempre se reformando”). A quem interessa os postulados da Reforma? A pergunta passa pela reflexão do que é “heresia”. À época, os reformadores, juntamente com as massas que não mais aceitavam acriticamente o domínio da inquestionabilidade clerical, foram considerados hereges. Talvez, pelo modus operandi de algumas denominações, um retorno aos postulados reformistas seja um “desvio”, um atentado à determinada liderança. Foi ninguém menos que Wycliff (anteriormente ardoroso defensor de que a tradição e a igreja deviam servir como guias na interpretação bíblica), quem paulatinamente se convenceu de “que muito da assim chamada tradição cristã contradizia a Bíblia”.[4] Aliás, conhecido por sua “teologia do domínio”, discutida em seus dois tratados (Sobre o senhorio divino e Sobre o senhorio civil), Wycliff defendia, conforme comentado por Justo Gonzalez, que o “senhorio divino é a base para todo outro senhorio, pois apenas Deus tem domínio legal e necessário sobre outros. Os homens, e mesmo os anjos, podem ter domínio sobre outras criaturas apenas porque Deus, a quem aquele domínio pertence propriamente, concede ou ‘empresta’ uma parte infinitésima dele para uma criatura, para ser usado de acordo com a vontade divina.[5] É verdade que pessoas frequentemente usam seu domínio ― tanto civil quanto eclesiástico ― de um modo impróprio; mas quando eles o fazem, seu poder não é mais domínio evangélico em que alguém é de fato um servo, mas é, ao invés, um domínio coercivo ou ‘humano’.[6] Segue-se que a autoridade eclesiástica ― cujo domínio de qualquer modo é limitado ao espiritual ― perde seu domínio, quando deixa de usá-lo justamente, e o leigo não lhe deve mais nenhuma fidelidade”.[7] Obviamente que quem se valia do poder, acusaria tais denúncias que, 150 anos antes da Reforma oficial já eram comuns, como “heresias”. Alister McGrath, afirma que esse “termo foi empregado extensivamente ao longo da Idade Média com certas conotações que distanciam o uso medieval do termo de suas associações originais. A argumentação contra a permanência do uso do termo ‘heresia’ para designar movimentos religiosos na Idade Média foi apresentada pela primeira vez em 1935, por Herbert Grundmann, que argumentou que a ideia foi definida de um ponto inquisitorial, e não, teológico. A ‘heresia’ era definida em termos de desafios à autoridade da igreja, da perspectiva daqueles que estavam sendo desafiados”.[8] Uma vez que, virtualmente, a busca por tais postulados significou a desestruturação do poder clerical na Idade Média; ansiar pelo mesmo ou propor um resgate de tais pilares atualmente não seria também considerado como um atentado à liderança ou, no mínimo, visto como rebelião? Pois, em minha modesta avaliação, muita coisa estranha que se esgueira e prolifera em nosso meio, só ocorre por falta de conhecimento da Palavra de Deus. Com a noção atual que temos de heresia e ortodoxia, é mesmo estranho pensar que “muitos daqueles estigmatizados como ‘hereges’ pela igreja medieval eram, na verdade, cristãos ortodoxos”[9] e, contraditoriamente, os “ortodoxos” daquele período talvez, por alguns, ainda o sejam considerados assim hoje. “Assim, um relato puramente histórico do conceito de heresia na Idade Média deve definir a ortodoxia em termos dos ensinamentos papais e a heresia em termos de dissensão desses ensinamentos. A heresia tornou, cada vez mais, um conceito jurídico. Enquanto o período patrístico via a heresia como um desvio da fé católica, os juristas dos séculos 12 e 13 conseguiram redefinir o conceito em termos de rejeição da autoridade eclesiástica, especialmente da autoridade papal. De acordo com a argumentação de Robert Moore, a ampliação da categoria de heresia constituiu um instrumento importante de controle social. A redefinição medieval da heresia situa o cerne da mesma no questionamento do poder papal e não no desvio da ortodoxia cristã”.[10]


Por não se adequar ao continuísmo medieval, e alinharmo-nos ao protestantismo em sua rejeição total dessa postura dominadora, é que posso seguramente afirmar que os pentecostais somos também ligados à Reforma. Como a “Reforma luterana ou, em geral, a Reforma oficial do século XVI não foi, em última instância, um movimento dos leigos, mas dos sacerdotes; não foi um movimento dos pobres e camponeses, mas dos nobres e dos príncipes, que influenciaram com sua autoridade para apoiá-la”.[11] Por esse aspecto, faço coro com Bernardo Campos, acerca do fato de o movimento pentecostal, que tem um caráter mais leigo, manter mais vínculo com a Reforma radical que com a “Oficial”. Como este movimento enfatizava um batismo consciente e não apenas ligado à tradição familiar, propondo que as pessoas convertidas deveriam batizar-se por decisão própria (desconsiderando o batismo praticado pelos pais na infância), os seus representantes foram chamados de “anabatistas”. Assim, desde “então se conhece todos os dissidentes do catolicismo e do protestantismo oficial como ‘anabatistas’. Incluem-se sob essa denominação as diversas tendências e formas de viver o cristianismo do Espírito”.[12] Apesar de o próprio Bernardo Campos classificar como “insuficiente” essa denominação, isso porque a “dissidência religiosa” foi, segundo ele, “muito diversificada”; é bom lembrar que um dos principais expoentes da Reforma radical, Tomás Müntzer, juntou-se aos anabatistas que já “praticavam o dom da profecia”, e reformou o culto, eliminando, “antes de Lutero, o uso do latim, deixando que se lesse no culto dominical a Bíblia toda e não somente as epístolas e os evangelhos”.[13]


É importante deixar claro que não são apenas as “vozes internas” do pentecostalismo ― como Bernardo Campos, por exemplo ― que afirmam ser o movimento herdeiro da Reforma. Foi o bispo anglicano Robinson Cavalcanti que, em artigo intitulado “Pseudo-pentecostais: nem evangélicos, nem protestantes”, mencionando a Assembleia de Deus, referiu-se aos pentecostais chamando-nos de “históricos, por [nossa] antiguidade e mobilidade social e cultural”. Se não bastasse a óbvia verdade de que o “discurso e prática” pentecostais indicam a existência de “vínculos ou pontos de contatos com a Reforma Protestante do Século 16: as Escrituras, Cristo, a graça, a fé”, o bispo anglicano ainda aponta o fato de que os pentecostais estamos “redescobr[indo] o valor da história, de uma confessionalidade e de uma teologia sólida”.[14] A maior prova disso é esta instituição e a realização desse Fórum Teológico.


Reconhecer essa verdade não corresponde, obviamente, a “fechar os olhos” para os grandes problemas que o pentecostalismo enfrenta para manter-se como digno herdeiro dos postulados da Reforma, sobretudo, os ligados à teologia e não somente ao inconformismo pós-medieval. A despeito de entender que é preciso cuidar desse aspecto, alinho-me com o pensamento de Alderi Souza Matos (que também reconhece as igrejas pentecostais como “filhas (ou netas) da Reforma Protestante, por manterem certos elementos básicos” típicos da Reforma, tais como “(justificação pela fé, ênfase nas Escrituras, sacramentos bíblicos etc.)”. Questionado acerca da diferença entre Reforma e reavivamento, fez a devida distinção sem, contudo, desprezar a coexistência dos dois fenômenos: “A reforma tem a ver com a restauração da verdade bíblica, com o resgate das convicções básicas da fé cristã, em suma, com o aspecto teológico, doutrinário. O reavivamento está mais ligado à vida prática, à espiritualidade, à comunhão com Deus, ao aprofundamento da vida cristã. Sem avivamento, a reforma pode tornar-se fria, formal e árida, reduzindo-se a uma mera preocupação com a ortodoxia. Por outro lado, sem reforma, o avivamento pode descambar para o emocionalismo superficial e efêmero, para o individualismo que busca experiências arrebatadoras, mas sem um compromisso profundo com Deus e com a igreja”.[15]


Assim, de um ponto de vista pentecostal, eu diria que um dos grandes desafios da igreja atual, é manter-se doutrinariamente ligada aos postulados da Reforma, sem perder de vista o aspecto dinâmico e sociológico da Igreja. Isso quer dizer que os fundamentos da Reforma devem ser sempre calibrados com o supremo alvo do evangelho o qual é salvar vidas. Neste aspecto, a mensagem humana deve cumprir o seu papel de comunicar o evangelho, sem esquecer que é dependente do auxílio do Espírito Santo de Deus. Quando mencionei “vidas”, o fiz para que alguém não entenda que o evangelho seja unilateral e reducionista, preocupando-se unicamente com “almas”. Este é outro grande desafio do cristianismo contemporâneo: mostrar-se relevante e desinteressado consigo mesmo, tendo em vista que a humanidade ― pela qual Jesus Cristo morreu ― é o mais importante. Mas não unilateralmente, ou seja, a humanidade desprovida de realidade histórica, conjuntural, terrena. A humanidade total, com todas as suas mazelas, deficiências, dificuldades e circunstâncias que o evangelho, longe de manter o status quo deve procurar, urgentemente, transformar.


2 – Poderiam as denominações protestantes, num contexto pós-modernista, manter-se na vanguarda no processo de depuração do cristianismo diante das inúmeras variantes denominacionais?


Sem querer ser simplista, eu diria que depende de uma diversidade de fatores. O primeiro deles é a forma como cada denominação ou segmento avalia sua progressão e/ou evolução. O que a caracteriza? Qual o instrumento ou parâmetro utilizado para aferir sua aprovação? O número de adeptos? O “quanto” consegue manter-se semelhante aos primórdios do movimento, ou seja, sua “identidade”? Sua capacidade de acompanhar as mudanças e adaptar-se à sua época? Uma vez que a “Reforma Protestante não foi apenas um movimento religioso; [mas] foi também um conflito de poderes e de interesses dos diversos sujeitos sociais da época” — algo que quase não é mencionado —, é importante entender que, assim como qualquer outro acontecimento histórico, ela também foi impulsionada pelo fato de que as “condições sociais da época se configuravam de acordo com as transformações culturais em andamento”.[16]


Sobre a possibilidade de uma “nova reforma”, deixo claro o meu total ceticismo acerca de tal pensamento, pois acho impossível que, com tantos segmentos no universo cristão, seja possível tal acontecimento se repetir. As várias “cisões” que ocorrem todos os dias no âmbito restrito das grandes e pequenas das centenas de denominações brasileiras, não podem, sob hipótese alguma ser classificadas como “pequenas reformas”. Em entrevista à Ultimato em 2005, o já citado historiador Alderi Souza Matos, quando inquirido acerca do fato de que “reforma religiosa sempre provoca cisão na igreja”, respondeu que ela ocorre exatamente em “virtude das resistências que sempre se manifestam contra os reformadores por parte daqueles que desejam a manutenção do status quo, inclusive político-eclesiástico. Por outro lado, a maior parte das cisões que têm ocorrido entre os cristãos, especialmente protestantes, não decorre de anseios legítimos de reforma, mas de outros fatores, alguns muito pouco recomendáveis (personalismos, conflitos de liderança, ensinos inquestionáveis)”.[17]


Esse é o ponto. Enquanto muitos focos reformistas surgiram do anseio de uma pequena parte responsável do clero e, majoritariamente do próprio povo, em libertar-se; atualmente os projetos individuais e os reinos pessoais tomam conta. A megalomania domina. O povo gosta de ser dominado e não quer usufruir do direito conquistado do livre exame da Bíblia. No âmbito pentecostal, questiono: Será que existe, por parte dos pentecostais, o interesse em manterem-se distintos, ou seja, das nuances e matizes (pós-pentecostalismo, iso-pentecostalismo e pseudopentecostalismo) que a cada dia incham os relatórios sociológicos com o seu números? Ou estará ele abrindo mão de sua tradição pentecostal, a qual conecta-se com a Reforma, simplesmente para entrar na guerra fria do “mercado de almas”? Eis o nosso desafio.


NOTAS
[1] MATOS, Alderi Souza de. Entrevista: A igreja é reformada, mas está sempre carecendo de reforma. Revista Ultimato. Edição 314, Ano XXXVIII. Viçosa: Ultimato, julho-agosto de 2005, pp.39-40.
[2] CAMPOS, Bernardo. Da Reforma Protestante à Pentecostalidade da Igreja. Debate sobre o Pentecostalismo na América Latina. 2.ed. São Leopoldo: Sinodal, 2002, p.14.
[3] MATOS, Alderi Souza de. Entrevista: A igreja é reformada, mas está sempre carecendo de reforma. Revista Ultimato. Edição 314, Ano XXXVIII. Viçosa: Ultimato, julho-agosto de 2005, pp.40-1.
[4] CAVALCANTI, Robinson. Artigo: Pseudo-pentecostais: nem evangélicos, nem protestantes. Revista Ultimato. Edição 314, Ano XLI. Viçosa: Ultimato, setembro-outubro de 2008, p.41.
[5] CAMPOS, Bernardo. Da Reforma Protestante à Pentecostalidade da Igreja. Debate sobre o Pentecostalismo na América Latina. 2.ed. São Leopoldo: Sinodal, 2002, p.21.
[6] Ibid., p.22.
[7] Ibid., p.22.
[8] GONZALEZ, Justo. Uma História do Pensamento Cristão. De Agostinho às vésperas da Reforma. Vl.2 1.ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p.317.
[9] De domin. div. 1.3.2. (Nota do autor). Ibid., p.318.
[10] “Wycliff estabeleceu uma distinção entre três tipos de domínio: primeiro, existe o domínio natural; segundo, o domínio humano, que é por natureza coercivo; terceiro, o domínio evangélico, que é mais elevado, e é mais um ministério do que um senhorio no sentido humano” (Nota do autor). Ibid., p.318.
[11] De civ. domin. 1.8. (Nota do autor). Ibid., p.318.
[12] MCGRATH, Alister. Origens Intelectuais da Reforma. 1.ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p.40.
[13] Ibid., p.41.
[14] Ibid., pp.40-1.
[15] MCGRATH, Alister. Origens Intelectuais da Reforma. 1.ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p.183.
[16] Ibid., p.184.
[17] Ibid., p.186.

4 comentários:

Marcelo de Oliveira e Oliveira RJ disse...

Prezado Pr. César Moisés,

Paz e Bem!

Em primeiro lugar queria parabeniza-lo pela brilhante exposição ontem a noite. Foi exposto com maestria a relação profunda que o Pentecostalismo tem com os postulados da Reforma e o reconhecimento e a clareza de autores reformados (Bernardo Campos, Robison Cavalcante,etc...)em separar o Pentecostalismo dos Pseudopentecostais ou Neopentecostais ou Isopentecostais, termos esses que nascem a partir da necessidade desta distinção.
Em segundo lugar, pelo seu apoio, incentivo e referendo do roteiro do fórum, onde você deu uma grande contribuição. A utilização do seu blog como ferramenta de divulgação desse evento, também foi de uma serventia esplendorosa.
Em terceiro lugar, agradecer aos acadêmicos da Faculdade que se doaram de corpo e alma para essa atividade intelectual. Todos sabem que esse é um evento histórico, como falei em outra oportunidade, para a Assembléia de Deus do Brasil, a FAECAD e ao corpo de discente da Faculdade`. Esse evento demonstra a maturidade teológica que os acadêmicos vem perseguindo e a força de realizar na reflexão que o corpo discente vem fazendo em relação a nossa prática de Igreja, um papel relevante e norteador onde a Reforma ainda fala. Por isso entendemos que a urgência em trazer os aspectos da Reforma é uma necessidade atual, "perder a Memória é perder a identidade, perder a indentidade é perder a presença, perder a presença é não existir no espaço" como disse em sua exposição brilhante o Profº. Dr. Ronald Rezende. Aos professores participantes: Profº. Dr. Severino Cadorin (Mediador), Profº. Dr. Nelson Mesquita, Profº. Ms Moisés Martins, Profº Dr. Ronald Rezende e o Profº. Esp. César Moisés; o muito obrigado dessa turma que persegue o desejo de compreender com profundidade os postulados do Evangelho e atuar na vanguarda desses postulados.

A Deus seja a Glória, Para Sempre.
Amém!

Um abraço fraterno,
Marcelo de Oliveira e Oliveira
1º Representante do 6º Período/Noite - FAECAD.

Pastor Geremias Couto disse...

Caro César Moises;

Excelente ensaio!

Sem querer chover no molhado, já que o seu texto é claro nesse sentido, acredito que a reforma, hoje, não passa diretamente pelas instituições, mas por indivíduos, grupos e segmentos, dentro do meio evangélico, inclusive pentecostal, que postulam essa "nova" reforma, não como anseio personalista (ainda que o haja), mas como projeto de vida para a Igreja de Deus.

É óbvio que lá atrás, a Reforma Protestante nào foi algo institucionalizado, mas fruto da inconformação de indívíduos, como Lutero, Calvino e outros, com os desvios doutrinários do romanismo. Todavia, em certo sentido, ela fluiu com mais "naturalidade" naquela época porque não havia essa fragmentação eclesiástica que hoje permeia a igreja evangélica. O campo, atualmente, é muito mais "minado" do que naquela época.

Assim, em outras palavras, essa "nova" reforma, a meu ver, se enseja dentro dos mais variados ramos denominacionais, através de indíviduos inconformados com o status quo, mas sem vínculos articulados uns com outros, e que não desembocará num grande movimento reformista englobador, como no caso da Reforma Protestante, mas ensejará na existência contínua de movimentos "intramuros", que poderão renovar a sua própria estrutura denominacional ou gerar novas "dissidências" , que, ao princípio, se anunciam como "livres" dos vícios e erros reprovados, mas que, adiante, incorporarão outros vícios e erros próprios da institucionalização.

É assim que vejo, meu amigo, a aplicação, hoje, do conceito: "Ecclesia reformata et semper reformanda est".

Abraços

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Parabéns por mais esse ensaio, prezado "Paladino da Educação Cristã". Pretendo apenas mencionar, à guisa de controvérsia, que a Reforma que os movimentos pentecostais seguem está longe de ser uma "reforma luterana" ou ligada aos principais postulados pela Reforma (somente as Escrituras, Somente a Deus a Glória, Somente Cristo...). Isto deve-se ao fato de observarmnos que muitos movimentos classificados em uma das categorias citadas por Campos, como citado pelo amigo, (1) elevam os escritos da denominação e os carismas acima das Escrituras, em confronto com "sola Scriptura", (2) criam sistemas rotos, leis e regras para a salvação, contrários ao pensamento reformado de "sola Gratia"; (3) buscam um império pessoal, na primeira pessoa, em franco confronto com "soli Deo Gloria" (...) Se um movimento ou denominação não segue os principais postulados da Reforma, não pode ser considerado, em minha opinião, como "reformado".

Um abraço
Esdras Bentho

Rose Siston disse...

Caro Mestre Cesar Moisés!

Venho participar , pela primeira vez, deste blog tão bem frequentado, por amigos acadêmicos. Quero deixar minhas declarações a respeito de tudo que vejo e ouço nas maiorias das igrejas que conheço. Me causa náuseas, ter que testemunhar a caminhada de pessoas que apenas buscam Jesus por suas necessidades humanas e materiais. Me pergunto onde vamos parar? A instituição Igreja está falida? Onde estão os "Homens de Deus", que doaram suas vidas em prol do Evangelho? O que vejo e me contorço de indignação, são homens manipuladores, que visam encher suas igrejas, para saciarem seus egos com a grandeza,a vaidade que não pertençe a Deus.Ligo minha tv e vejo "pastores" que outrora discurssavam sobre o Reino de Deus, com tanta unção e certeza, e agora, utilizam um discursso sobre o reino das finanças. O que será que houve com aquele "POVO BARRULHENTO"? Estou cansada de tantas tolices, meninices, hipocrisias. Quero ouvir uma pregação EXPOSITIVA, me deleitar na mensagem que alimenta minha alma,uma mensagem que me faça refletir sobre meus erros e que me leve ao arrependimento deles. Chega de Teologia da Prosperidade, de Protestantismo Gospel, eu quero é a mensagem da mudança de caráter, da santificação diária, dos frutos do espírito. Mestre, eu procuro fazer a minha parte neste Reino que chegou até a mim, através do Filho de Deus. Quero honrar o sacrificio do meu Senhor na Cruz, e me sentir honrada pela Sua ressureição. Quero apenas deixar o meu legado a muitos que precisam conhecer a Verdade, que é Cristo. Um abraço carinhoso, para você que me faz acreditar que ainda temos homens comprometidos com Deus e com Sua Palavra.

Shalon!